Clarisse Ferreira. A Estória de uma ‘Mãe Coragem’ e a ‘Família mais bonita de Curitiba’

(...) Depois das horas que são necessárias para atravessar o Atlântico a bordo de um avião, “com uma barriguinha de 7 meses e Simone de 11 anos pela mão”, Clarisse andava pelo aeroporto de Guarulhos em São Paulo “super-carregada”: “fiz tudo sozinha, o Jorge teve que ficar em Portugal, com a Sara e o Gonçalo, para acabar de resolver o que ainda ficou pendente”. “Foi uma loucura”, sorri com os olhos postos num passado que a parece dourar, “só às costas trazia uma mochila de 15 quilos, a Simone carregava um saco com a guitarra que se encheu de livros”.

A aterragem em Curitiba implicava começar tudo do zero. A intenção era continuar no ramo, abrir um negócio de importação, mas no fundo “não sabia o que vinha fazer, apenas que queria mudar”, acabou por ser um passo consumado “numa de aventura” ao estilo “seja o que Deus quiser”. (...)

(Texto publicado na íntegra em Coração Luso)


(Créditos da Foto para Clarisse Ferreira com Edição de Coração Luso)

Tânia “Coddy”. De Mochila às Costas até Whale Bay na Nova Zelândia

(...) Seguia-se a Nova Zelândia, sem saber ainda que era aqui que a estória realmente começava. Se a beleza insular a maravilhou de imediato, a máquina fotográfica não ajudou avariando sem explicação aparente. Num país que tem longa tradição em boleia, “as pessoas costumam parar espontaneamente na estrada para saber se queres boleia”, foi numa lavandaria que conheceu Douglas, o rapaz que lhe iria mostrar a ilha. “Perguntei-lhe só se os pontos de surf eram pela estrada que tinha em mente”, meteu-se conversa, depois foi a naturalidade com que tudo aconteceu mais a força das circunstâncias. Mergulhador profissional, estava de baixa devido de um problema de sinusite, nunca tinha ido à ilha Sul, era uma oportunidade para o fazer, ofereceu-se para a tal boleia. E assim foi, começando por Raglan, viajaram juntos durante dezoito dias, “nada aconteceu, só bons amigos”. (...)

(Texto publicado na íntegra em Coração Luso)


(Créditos da Foto para Tânia Barreira)

(Arraiolos) No Castelo Circular, o Silencioso Braseiro de Memórias

O Calor Alentejano não se descreve, experiencia-se. Mas isso é para quem está apto. Arraiolos dos tapetes coroa na sua colina mais perfeita um Castelo elíptico, tal como se pensa a trajectória da Terra ao redor do Sol. No que resta do Paço onde Nuno se sentou para meditar sobre a arriscada relação entre vida e morte, moram hoje os pombos. E nesta região onde o Horizonte é mais longilíneo do que em qualquer outra, até os cães são lânguidos…

(A Criatura Elipsóide, Jehoel)

(...) Ainda muito quente, mas já possível de circular, faço pelo meu próprio pé o caminho que há pouco só pude fazer protegido pelo carro. Sempre de olhos postos na encosta que se eleva sobre mim suave como um seio maduro, sobre a qual assenta em halo a muralha que vou apreendendo assim de diferentes perspectivas, precisamente como se deve fazer a um peito no leito da Amor. Sou o Peregrino em celebração ao Espírito do Lugar. (...)

(Unhais da Serra) Uma Vila no Bardo

Entrei como saí, em silêncio, tão despovoado de sensações como a Vila de emoções. Anódina, parece estar perdida algures entre o reconhecimento de que terá morrido e a falta de vontade de voltar a encarnar. Unhais da Serra, o fantasma da “Pérola da Beira”, uma vila esquecida de que um dia existiu e incapaz de perceber que já morreu.

(Rumo ao Terroeiro, Jehoel)

(...) Estou no derradeiro sopé da possante elevação que se acredita corresponder aos Montes Hermíneos segundo os tratadistas do Império Romano. Os Montes de “Hermes", o deus mensageiro também conhecido por Mercúrio e associado aos pastores, terão sido o berço de Viriato, o guerreiro lusitano de quem pouco se sabe mas muito se conta. Algures por entre este jogo natural de lombas e concavidades traçado sob a rispidez da pedra, quem sabe até mesmo neste preciso lugar, esse homem carismático comandou um punhado de guerreiros numa eficiente guerra de guerrilha contra os romanos e que só acabou com traição porque a cobiça humana sempre tem sido confundida com Glória. (...)

(Sintra) Algures Antes ou Depois da Aldeia Galega

Pelo caminho encontrei dois relógios parados e abandonados à beira da estrada. Uma coincidência de cujo significado abdiquei sabendo que as respostas vêm quando a Mestra Vida me sentir preparado a recebê-las. Vi o Pôr-do-sol, tentei segui-lo algures entre uma árvore filha da Natureza e um cata-vento filho do Homem. Na volta uma troca de olhares.

(Fitar, Jehoel)

(...) num final de Março que já devia ser Primaveril, mas ainda não o é. Longe disso. Há um frio ríspido que percorre a periferia da minha Alma e que vem sentado no dorso de uma brisa serpentina. Aqui, o Inverno ainda persiste e pergunto-me se este lugar tolerará outra estação que não a de Saturno e Úrano. (...)